Design de Produto Apr 20, 2026

Você não foi feito apenas para trabalhar nos sonhos de outros

4 min read
Practise your creativity

Tenho desenvolvido um produto que está superando minhas expectativas, e isso me fez perceber algo simples, mas poderoso: em alguns casos, é possível perder mais em um emprego formal do que ganhar com um produto, seja ele pequeno ou grande. Por isso, faça aquilo que realmente te motiva a alcançar resultados extraordinários.

Muitas vezes passamos tempo vivendo os sonhos de outras pessoas, trabalhando em escritórios e tentando assimilar o que chamamos de mercado, baseado em algo que não é seu e provavelmente nunca será, apesar do seu envolvimento direto ou indireto. Em muitos casos, isso não te pertence, e no fundo você sente isso, mesmo que de forma sutil.

Muitos empreendedores acreditam que as pessoas podem sonhar seus próprios sonhos, mas na prática isso nem sempre acontece dessa forma. As pessoas têm responsabilidades, compromissos e expectativas a sustentar, e mesmo aqueles que acreditam estar vivendo um sonho em um escritório podem, em alguns momentos, perceber que não estão vivendo completamente para si mesmos.

Minha missão neste breve texto não é criticar a vida de escritório em detrimento da vida pessoal, mas sim ampliar a sua percepção. Uma oportunidade pode te ajudar a criar sua própria experiência, mas não define quem você é. Uma empresa só te contrata porque reconhece algo em você que já existe, a sua capacidade de fazer acontecer.

E é exatamente aí que está a oportunidade.

Isso pode ser algo profundamente positivo e uma verdadeira porta para o desenvolvimento pessoal, desde que você dedique tempo a isso, invista em aprendizado e não dependa apenas de pessoas ou empresas, mas também da sua própria imaginação e determinação.

A dica é simples, mas exige atenção: escolha algo que você ame, goste ou admire, algo que realmente te faça sentir vivo, como um aplicativo, um site ou uma funcionalidade, e mergulhe nisso todos os dias. Compre um pequeno caderno e comece a imaginar o seu produto, não o da empresa, não o dos acionistas ou dos parceiros, mas o seu produto. Pense nele quando estiver relaxado, quando estiver feliz, quando estiver inspirado. São nesses momentos que as ideias aparecem, quase como se já estivessem lá, esperando por você.

Incentive sua curiosidade, porque é ela que alimenta a sua criatividade. Isso é prática. Não há pressão, não há prazo, existe apenas o seu tempo e a forma como você escolhe usá-lo. Esboce ideias, converse não apenas com outros designers, exceto quando fizer sentido para o seu produto, mas também com pessoas de outras áreas, como um cozinheiro, um músico ou um médico. Amplie sua visão, porque boas ideias dificilmente nascem em ambientes limitados.

Crie seu protótipo sem pressa, mas quando a energia aparecer, siga com ela. Vá mais fundo. Canalize esse momento. Encare como um jogo, porque mesmo que ainda não seja algo concreto, a experiência de criar é real, e ela transforma a forma como você pensa.

Essa prática pode ajudá-lo a desenvolver um senso crítico que muitas vezes não é explorado no ambiente de escritório, e aos poucos você começará a enxergar as coisas de forma diferente ao pensar em um produto. Você poderá se olhar no espelho e perceber que existe algo de grande valor dentro de você, algo que talvez estivesse adormecido. Com o tempo, ficará mais claro que suas capacidades podem ir além do sistema em que você está inserido. Pratique sua criatividade, mas pratique de forma consciente e positiva.